Relato de parto

É impossível falar do meu parto sem antes contar toda a trajetória da minha gestação.
Como minha parteira disse, eu pedi uma gravidez com emoção !( como tudo na minha vida rs)
Um belo dia de agosto,  eu comecei a ter fortes dores no ovário e fiquei bem assustada, fui pra emergência,  fizeram vários exames e nada, me internaram e resolveram fazer um beta hcg, eu estava grávida,  mas junto com a boa notícia , veio uma terrível,  pelas dores acharam que seria uma gravidez nas trompas,  eu deveria aguardar o ultrassom no dia seguinte.
Imaginem como foi passar uma noite esperando esse ultrassom,  com esse medo na cabeça,  sozinha,  internada em um hospital.
O ultrassom seria pela manhã,  eu fiquei de jejum e com a bexiga cheia,  as horas começaram a passar eu não recebia nenhuma explicação,  as 16 horas eu surto peço minha alta e vou numa clínica em frente ao hospital aos prantos pedindo uma vaga para um ultrassom de emergência,  ali veio meu alívio,  tudo perfeito com meu bebê! !!! Eu estava com 6 semanas.
Após isso tivemos ainda dois sangramentos e ultrassons de emergência, passando pequenos sustos,  mas nada realmente grave.
Decidimos por um parto domiciliar,  conhecemos uma parteira incrível,  a Lucelia,  e nossa Ginecologista nos acompanharia e liberaria se tudo corresse bem na gestação.
Eu estudei bastante,  li, busquei conhecimento,  queria muito um parto normal,  meu marido sempre do meu lado, indo em palestras,  encontros, rodas de gestantes , estávamos muito felizes.
Com 29 semanas começo a sentir uma dor estranha no estômago,  começa a atingir um nível muito alto de dor,  e derrepente uma contração junto, corremos para o hospital,  meu médico me internou,  conseguimos parar o trabalho de parto,  porém não achávamos a causa de tanta dor,  meu cirurgião gástrico não atendia no hospital que eu estava e a equipe gástrica de lá insistia que o problema era no meu estômago,  quando eu tinha certeza que era no meu intestino,  após quase uma semana sentindo dor conversei com meu GO Paulo Fasanelli e resolvemos mudar de hospital, liguei para meu gastro,  expliquei o caso, ele me internou e no mesmo dia descobriu a hernia no meu intestino,  porém era um caso cirúrgico, precisaria fazer uma cesaria e junto a cirurgia da hernia, nesse momento desabei, minha bebê tinha apenas 30 semanas,  era muito cedo, meu GO abençoado entrou em ação e juntos acharam uma opção,  eu ficaria me alimentando com alimentos pastosos e líquidos e seria monitorada diariamente pelos dois.
Com 34 semanas eu já me sentia muito melhor,  as dores eram diárias,  mas em um nível suportável,  meus médicos liberaram o parto normal,  porém seria hospitalar, para verem de perto alguma alteração.

Durante todo esse tempo eu conversei muito com a minha filha,  estabeleci uma conexão forte com ela, pedi pra ela aguentar firme,  nós iriamos conseguir juntas, a minha parteira Lucelia e minha doula Maira me viam toda semana e me ajudaram muito a lidar com a dor e com meus medos,  foi um processo de cura,  de oração,  me aproximei da minha filha,  de mim mesma e de Deus.

Após muitas orações,  carinho,  amor , vibrações positivas,  pessoas incríveis torcendo por nós, com a graça de Deus conseguimos chegar nas 37 semanas! !!
Meu tampão tinha saído com 35 semanas e desde então,  eu tinha contrações de treinamento diárias,  várias por dia.
No sábado fomos em um encontro com a dr Ana Paula Pina,  que era nossa médica backup,  conhecermos ela e nos apaixonamos, me sentir segura se precisasse dela.

Era uma segunda feira e eu me sentia exausta das dores da hernia,  junto com as dores da gestação,  foi um dia cansativo,  ao final dele entrei no chuveiro e comecei a conversar com a minha filha,  eu disse pra ela que chegamos longe, ela não era mais prematura, ela estava nesse momento liberada para vir ao mundo,  a hora que ela quisesse,  no momento que ela quisesse! A mamãe estava já cansada das dores mas aguentaria o momento dela, comi uma barra de chocolate e fui dormir.
As 3:30 da manhã eu sinto uma colica,  depois mais uma, começo a verificar o tempo,  15 minutos de espaço entre elas, tranquilo,  pode ser alarme falso,  podem durar dias, fico tranquila, as 11 da manhã teria consulta com meu GO.
Tentei dormir não consegui,  as dores começaram a ficar ritmadas, as 5 da manhã liguei pra minha parteira,  estavam muito ritmadas, de 8 em 8.
A partir de então parei de olhar o relógio,  fiquei no chuveiro tentando alivia-las,  acordei o kaique e disse que provavelmente a Clara nasceria naquele dia.
Minha doula chegou bem rápido,  começamos conversar e fazer exércitos pra aliviar a dor, foi um momento muito gostoso,  eu não queria comer nada, não queria ouvir nada,  as contrações estavam bem próximas,  de 3 em 3 minutos,  eu pensei: se isso é o começo,  to ferrada.
Minha parteira chegou,  ascultou o coração da Clara,  tudo ótimo,  resolveu fazer um toque, o plano era irmos pro hospital com 8 cm de dilatação, nesse momento ela disse : Jessica,  você está com dilatação total.
Eu não acreditei,  comecei a dar risada,  era bom demais pra ser verdade,  após toda a saga da gravidez com emoção,  eu jamais esperaria um parto fácil,  arrumamos as malas e fomos pro carro, as contrações estavam de 1 em 1 minuto, eu me segurando pra não fazer força,  entre uma contração e outra eu ria,  o Kaique dizia, vc não falou pra ela vir?  Ela tá vindo,  e eu feliz e plena,  por tudo estar acontecendo como pedi a Deus.
Após uma  contração dolorida  no carro eu falei pras meninas: e Aquela história de um momento de alívio depois da dilatação total?  To precisando de uns minutos kkkk.
Chegamos no hospital e a Dr Ana Paula Pina chegou conosco,  o Dr Paulo estava em um catanduva e não chegaria a tempo.
No hospital a dr Ana Paula tomou conta da situação com perfeição,  tentaram pegar minha veia duas vezes e ela não deixou,  uma enfermeira veio tirar meu sangue, subimos pro centro cirúrgico,  lá comecei finalmente a empurrar,  as dores diminuiram,  abaixaram a luz;  desligaram o ar, a doutora colocou uma música no celular, ela me disse que  bebê estava bem alta, se eu quisesse ela poderia estourar a bolsa e seria mais rápido,  eu decidi por estourar,  não tinha comido nada,  preferi a bolsa rompida a ter que tomar anestesia no final, ela disse: são 8 horas,  creio que até as 10  saímos daqui.
Minha doula não saiu do meu lado, começou a cantar para mim,  me senti calma,  acolhida, do outro lado meu marido,  dizendo que eu era forte e ia conseguir,  na minha frente a doutora Ana vibrando a cada contração, auxiliando na respiração.
Eu quis ficar sentada,  quase de cócoras na mesa, me deixaram confortável,  as dores eram bem menores do que das contrações.
Lembro dela dizer: posso ver a cabeça,  coloca mão,  sinta ela, daqui mais três empurrões ela nasce , mas a Clara não quis esperar três empurrões,  na próxima contração ela nasceu,  escorregou inteira,  parecia um peixinho vindo ao mundo.
Veio para meus braços, o Kaique disse 8:48, a hora do nascimento,  ela resmungou e se aconchegou no meu peito,  era tão linda,  tão pequena,  tentar dar mama, mas ela não quis,  quis apenas meu colo, meu calor,  depois de um tempo o Kaique cortou o cordão e examinaram ela,  ela voltou para mim mais um pouco,  e foi para o berçário tomar as vacinas. Eu precisei de 3 pontinhos superficiais e fui para o quarto.
Enquanto esperava ela me peguei conversando com a barriga,  foi tudo tão rápido que a ficha custou a cair,  logo ela voltou pros meus braços e não saiu mais.
A Hernia parou de doer, aparentemente o útero quando subiu pressionou ela, quando desceu liberou.
Apesar de todas as dificuldades da gravidez tivemos um parto abençoado, e minha filha nasceu perfeita,  saudável.
Creio que tudo acontece com um propósito e a Clara veio trazer cura emocional para minha vida,  e com a ajuda de Deus eu consegui reconhecer e me curar.
Espero que esse relato possa ajudar as pessoas de alguma forma.
Não desistam e tenham fé! !

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7 pensamentos sobre “Relato de parto

  1. Que lindo amigaaaa.
    Desde quando comecei a acompanhar sua história lá no grupo eu sabia que vc teria um parto lindo e bem mais especial do que vc imaginava.
    Você foi guerreira, não se abalou com a dor na hérnia, sempre sorridente.
    E ainda no dia em que a Clarinha nasceu, logo pela manhã você cuidou de mim pelo watts. Com as minhas dores de ovulação kkkk a última pq agora carrego em mim mais um sonho da minha vida, meu bebê 2. (Momento em que tbm dividi com vc desde o início). A gente pode sim ter uma amizade verdadeira pelas redes. Amo muito sua vida e a da Clara.
    Ela não poderia ter escolhido família melhor, parabéns pelo seu relato.
    Bjs Eli

  2. Menina!!!!! Que sufoco foi isso tudo. E como ficou a hérnia no fim das contas? Precisou operá-la?
    Quanto a bebê, pelo pouco que acompanhei esse ano, sei que está tudo correndo da melhor forma possível. Fico contente 🙂
    beijo,
    Phê Brito

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